André Lucas Mattos Silva, jovem de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, acaba de conquistar seu primeiro emprego. Com deficiência intelectual, ele agora atua como embalador em uma rede de supermercados, marcando o início de uma nova fase de independência.
A conquista traz um sentimento de realização pessoal. “Estou muito feliz. Sempre quis trabalhar para ter meu próprio salário e ajudar minha família. No começo senti medo e ansiedade, mas agora estou melhor e me sentindo bem”, conta André.
O suporte da Apae de Aracruz foi decisivo para essa inserção. “A Apae de Aracruz me ajudou muito, me incentivou e me deu atenção em todos os momentos. Isso fez toda a diferença para eu conseguir meu emprego”, relata o jovem, que já faz planos de cursar uma faculdade e crescer na empresa.
A trajetória de André foi viabilizada pelo programa Emprego Apoiado, da Federação das Apaes do Espírito Santo (Feapaes-ES). A iniciativa foca na inclusão de pessoas com deficiência intelectual, múltipla e autismo, oferecendo suporte técnico contínuo tanto para o contratado quanto para a empresa.
Vanderson Gaburo, diretor social da Feapaes-ES, ressalta que o objetivo vai além do preenchimento de vagas. “Quando falamos em inclusão, não estamos falando apenas de cumprir uma lei, mas de reconhecer potencialidades e garantir oportunidades reais. O Emprego Apoiado promove exatamente isso: prepara, acompanha e conecta pessoas e empresas para que essa inclusão aconteça de forma sustentável”, destaca.
Embora a Lei de Cotas (Lei nº 8.213/1991) seja um marco legal importante, pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras culturais e físicas. Dados do IBGE mostram que a participação desse grupo no mercado formal ainda é significativamente menor que a média nacional.
Para as empresas, a adesão ao programa representa um ganho em potencial humano e responsabilidade social. Segundo Vanderson Gaburo, “garantir que todas as pessoas possam trabalhar, crescer e se desenvolver não é apenas uma pauta social. É um compromisso com uma sociedade mais justa, inclusiva e sustentável. E histórias como a do André mostram que, quando há apoio, oportunidade e confiança, o potencial se transforma em realidade”.



