Muito antes das arenas de rodeio, a Queima do Alho já era a base da alimentação das comitivas boiadeiras que desbravavam o Brasil. Refeições rústicas, feitas no fogo de chão e transportadas em bruacas, formam a essência dessa tradição culinária centenária.
Durante a 71ª Festa do Peão de Barretos, essa rica história ganha vida no Rancho Ponto de Pouso. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do país, a tradição será celebrada entre os dias 20 e 30 de agosto, recriando fielmente o modo de vida dos antigos peões de boiadeiro.
O ápice da celebração ocorre no dia 23 de agosto, com o Concurso da Queima do Alho, que reunirá 20 comitivas de seis estados brasileiros. No dia 30, uma seletiva especial com grupos iniciantes definirá duas equipes que garantirão vaga na disputa da edição de 2027.
As regras do concurso são extremamente rigorosas quanto à fidelidade histórica do preparo. É proibido o uso de utensílios modernos; os competidores devem cozinhar os pratos — como arroz carreteiro e feijão gordo — exclusivamente com lenha, fogo de chão e panelas antigas.
O evento é marcado por histórias de famílias que mantêm o legado vivo há décadas. Um grande exemplo é a Comitiva Antônio Ângelo, liderada por Dalva Utuari, de 85 anos, que participa do concurso desde 1956 e já repassa os costumes tropeiros para seu bisneto.
Além da gastronomia rústica, os visitantes que adquirirem ingressos para o evento poderão desfrutar de uma autêntica imersão cultural. A programação inclui concurso de berrantes, catira e shows exclusivos de música raiz, como moda de viola, garantindo uma verdadeira viagem no tempo.

